Sobre o desencanto

Eis que por longos anos caminhei entre os parasitas eclesiais, clérigos e leigos, onde a arte da ascensão e do conhecimento permaneceram acorrentadas em suas profundas misérias.

Tão pequenos e medíocres em suas mentes, que a grandeza do anúncio evangélico se esconde e se acorrenta por detrás das forças institucionais e de seus pastores, que com seus gestos ofuscam a beleza do Reino e não a faz expandir.

É um retrocesso contra o amadurecimento e sobre a conversão das ideias… isso se repercute em nossas igrejas, na política e nas diversas esferas onde a cultura ou culturas se fazem ausentes e se impõe a monocultura do padroado católico romano. Muitos ainda se sucumbem pelo medo e não conseguem enxergar mais além e com isso suas redes ficam ancoradas e não ousam lançar-se em águas mais profundas (Lc 5, 1ss).

Cristãos de margens porque assim se petrificou e se impregnou suas imagens e seus povoados em nome de Deus e da única Igreja.

O grande perigo das bíblias instrumentalizadas politicamente ou ideologicamente para afirmação de seus interesses e partidos, onde nisso não há nada de cristão, mas a negação da proposta tão ampla de Jesus: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1, 27).

Diante do desencanto e da ignorância, é preciso sacudir constantemente o pó dos pés (Mc 6, 7ss) e seguir adiante entre outros vilarejos (Mt 9, 35)… a imagem do Mestre nos impulsiona, onde Ele mesmo se desencantou inúmeras vezes ante seus discípulos, suas comodidades e preguiças (Mt 26, 40ss).

A alma se entristece (Mt 16, 38ss) com almas tão inertes, que lutam por salvar os muros eclesiais e destroem a si mesmas na ignomínia contra o conhecimento da amplidão do ethos (ser) cristão e sua justiça.

Eis que se propõe o deserto, sob novos passos para que a estupidez e a ingratidão não imperem, mas busquemos a reconstrução de nosso homem interior… solidão e abandono irmãos fiéis que não denigrem nem aniquilam a graça e a beleza de sermos irmãos!

+ Dom Theodoro
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