Escrevo por quê?

Na solidão tudo surge. É o nosso ser esposando o próprio eu. O drama do encontro daqueles que se ausentam de si mesmos.
Creem estar ganhando? Perderam tudo no inconsciente! Idiotas sem fim – retos e corretos.
Abusam da fé e nela nem creem, pois se cressem loucos seriam. Acovardados em seus templos – símbolos da sua própria ruína que os adormece. Continuam em sua tirania e a agonia alheia nem percebem, Sua ambição tudo constrói e nisso a mente destrói. Numa chama que não perdura, mas que se finda no julgar
Como compreender os medíocres – ai de nós cristãos que cremos tudo saber. Ainda nada sabemos, pois o deserto se torna a única resposta.
Da alma que implora muito mais, mas que não ousam lutar, pois acreditaram já chegar ao destino prometido e aos demais condenam. Como almas pequeninas, mas que a morte enaltece sobre o mesmo patamar. Não administram seu próprio inferno e aos demais lançam nas trevas daquilo que são.
A outros não sabem buscar, pois de seu mundo jamais ousam escapar. Para entender que são gotas no mar duma eterna mansidão, e ao fim entre lamas derramadas cremos ser almas lavadas. Do puro que aqui não há, mas cremos haver de chegar no paraíso de acolá… mas onde está?
Calai-vos todos nada dizei, pois se vossa vida não se torna um grito. Que cristãos sois? Tolos eternamente serão e na mesma graça findarão!

+Dom Theodoro

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

          Difícil fazer uma reflexão sobre isso neste contexto onde o diálogo interreligioso e o ecumenismo são tão escassos.
          A pretensão desse ou daquele grupo como sendo os únicos e verdadeiros se depara com a grande proposta do Reino oferta por Jesus.
          De fato cada encontro – cada Eucaristia deveria ser uma motivação maior para enxergar a amplidão deste Reino que está entre nós.
          Os próprios discípulos de Jesus foram exortados quando chegaram até Ele dizendo que viram alguns que não eram do grupo pregando em seu nome e o impediram (Lc 9, 49), mas Jesus foi categórico: “Quem não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não colhe, espalha” (Mt 12, 30).
          O cristianismo é tão recente comparado com as religiões antigas e com aqueles que nunca ouviram falar de Jesus – não falamos aqui de relativismo, mas onde nós como cristãos somos chamados a enxergar as coisas boas e boas obras que Deus pode fazer através dos demais ou daqueles que nós consideramos diferentes de nossa Igreja, paróquia ou comunidade.
          O diálogo com Deus se dá somente através do cristianismo? Se assim fosse os demais já estariam danados e nem merecedores da graça. Os antigos diálogos, gestos e ritos das religiões antigas nos ensinam profundamente sobre a imensidão e o amor do Criador por todos nós.
          Até mesmo o apóstolo Paulo foi criticado como não sendo do grupo dos Doze, mas ele se tornou coluna e grande missionário no coração da Igreja. “Paulo apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de qualquer ser humano, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos” (Gl 1, 1)
          A antiga religião no Brasil não foi o catolicismo, que aqui foi imposta pelos nossos conquistadores, mas há uma herança indígena e negra massacrada e escondida e hoje sincretizada em nosso contexto. Estejamos atentos com nossas pretensões –

– Ainda continuamos crucificando e humilhando o Cristo em nossas paróquias;
– Ainda o desprezamos nos mais pequeninos deste mundo;
– Ainda não o reconhecemos entre os negros e longínquos povos desta terra;
– Ainda não o respeitamos entre os próprios cristãos de outras confissões.

          Quanta petulância nosso em esperar que só nós seremos salvos… o próprio Jesus admoestou os fariseus, judeus de sua própria religião onde eles diziam: “não somos filhos bastardos e temos um Pai que é Deus” e Jesus replicou-lhes: “Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis; porque eu vim de Deus e estou aqui; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou” (Jo 8, 41-42).
          Aqui pedimos perdão em nome do Deus de todos os povos e diante Dele nos prostramos… “pois irá chegar um novo dia, um novo céu, uma nova terra e um novo mar e neste dia, os oprimidos a uma só voz a liberdade irão cantar”.

+ Dom Theodoro

XV Carta Pastoral/XV Pastoral Letter

Amados irmãos e irmãs.

The Season of Lent – O Tempo da Quaresma – graça para todos nós, tendo início na Quarta-Feira de Cinzas – conclamando todos os fiéis sob o apelo do Senhor: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 12). Para alguns é somente um ritual litúrgico que se encerra nos gestos da imposição das cinzas, mas a profundidade de tal apelo nos faz mergulhar na graça da conversão e da revisão de nosso compromisso como cristãos e das exigências do Reino no meio de nós.

Entre as férias e o Carnaval que se aproxima poucos tem tempo para com a Eucaristia – alimento constante – o mesmo Cristo oferto por nós e Ele mesmo fará a experiência do deserto (Lc 4, 1) que revela nossa profunda humanidade e nossas tentações humanas por orgulho, falsa prosperidade e poder.

Acolhamos com alegria no deserto de nossa vida este tempo profícuo de misericórdia. Recordemos a fidelidade do Senhor – “foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado” (Hb 4, 15).

Aos nossos clérigos, seminaristas e leigos desejamos um maior empenho e sinceridade diante do Senhor e celebremos com júbilo este tempo oferto a todos nós pecadores.

Em Cristo!

+ Dom Theodoro
Primaz e Diocesano

A todos os Irmãos da nossa Província. Graça e Paz seja convosco!

Hoje nós olhamos para o último ano e temos todos os motivos para sermos gratos. Fico feliz em recordar nosso Sínodo em outubro, quando conheci todos vocês. Foi um grande momento, especialmente a consagração episcopal do nosso irmão e amigo James Tavares de Melo.

Em nossa vida na igreja, temos muitas dificuldades e sofrimentos e muitas vezes estamos cansados ​​de tantas coisas ruins. Mas o Senhor disse a São Paulo: “Minha graça te basta: pois a minha força é aperfeiçoada na fraqueza. Felizmente, portanto, eu prefiro me gloriar em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo possa repousar sobre mim. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo, pois quando sou fraco, então é que sou forte” (cf 2 Cor 12, 9-10).

Em nenhum lugar das Escrituras o Senhor nos prometeu que a Igreja é um oásis de bem-estar. Pelo contrário, somos chamados a usar toda a armadura da qual São Paulo escreve em Ef 6, 13ss. E no final da descrição da armadura, o mesmo apóstolo nos convidou: “Orar sempre com toda oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6,18).

No limiar de um novo ano, gostaria de encorajá-los a fazê-lo. Vamos orar uns pelos outros e esperar pelo que o Senhor preparou para cada um de nós. Ele é o Rei em nossas vidas e a igreja não é nossa. Nós somos apenas servos.

Desejo-lhes um feliz ano novo de 2019.

Com carinho!

+ Dom Frederick