Entre a Mediocridade e o Abandono

“Os homens passam mamãe” – dizia um poeta grego e o que resta é a própria essência. E a alma afirma: Não sei se ainda sinto saudades, pois como viver de meras lembranças?

O medíocre prospera e o abandono permanece como o eterno da alma inquieta que segue seu percurso. E alguns para conservar laços precisam compreender tudo – é o ilusório racional que se faz quimera!

Ainda amar? Na perene e na dissimulada cotidianidade de vãs cobranças… essas também findarão!

É o conflito do decorrer da mente e dos medíocres que já não caminham e creem tudo saber e resolver… em nome do seu deus que já não fala e somente a vida grita por si só.

Eis que ressurge o desespero e angústia, como irmãs mestras do além que se fazem aquém do seu próprio olhar.

Alma ignorante que tudo crê e não se perturba e aquilo que chamas de irmão nada te importas.

Coragem para levantar e impulsionar, pois o cavalgar percorre todas as estradas, entre o belo e o bruto o reto e o tortuoso… é a capacidade de cruzar além das máscaras que define um só caminho como reto e verdadeiro… surpresa do falso que se apresenta derradeiro.

E ao fim de tudo permanece o grito da imensidão daquilo que realmente és… “os homens passam mamãe”!

+ Dom Theodoro

XIV Carta Pastoral/XIV Pastoral Letter

Amados irmãos e irmãs,

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. Ele será chamado maravilhoso, conselheiro, Deus poderoso, Pai eterno, Príncipe da Paz” (Is 9, 6).

A Encarnação do Verbo vem para iluminar a todos nós e o profeta Isaías na mensagem acima citada prepara o povo de Israel para este grande evento de nossa fé.

Imensa dispersão entre adornos e presentes e não haverá lugar para Ele em muitas manjedouras, mas a essência da Natividade ilumina nossos corações e nossos passos. Tudo isso desperta em nós as grandes lacunas interiores e a necessidade de formar nossa identidade como cristãos e nosso caráter humano.

Muitos já não confiam nas relações humanas e nem sempre o que se expressa na frente é o que se afirma por trás. É preciso fazer um longo caminho como os pastores no deserto guiados pela estrela, para crescer e formar a própria consciência diante do despojamento do Eterno. A alma humana não se acomoda com as ambições e traições!

É também o momento para celebrar a graça do “Deus conosco”, que impulsiona a todas as comunidades e a cada qual em sua missão peculiar.

Desejo de coração muitas bênçãos neste Natal e um vindouro ano com mais coragem e decisões maduras, embora custe grandes ‘perdas’ e ‘incompreensões’ humanas.

Um ramo surgirá do tronco de Jessé e das suas raízes brotará um renovo” (Is 11, 1).

Em Cristo!

+ Dom Theodoro
Primaz e Diocesano